domingo, 8 de março de 2009

Caminhada penitencial


No terceiro domingo da Quaresma, a Arquidiocese de Salvador, promove a já tradicional Caminhada Penitencial, um momento de demonstração pública da fé e conversão do povo baiano, que reúne elementos marcantes do tempo da Quaresma como a caridade e a peregrinação. A atividade no dia 15 de março, começa às 6:30 da manhã com uma celebração eucarística presidida pelo Cardeal Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, na frente da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio.
Enquanto parte dos fiéis participam da missa celebrada na Igreja da Conceição da Praia, uma outra celebração acontece na Suburbana, no bairro do Lobato, na Igreja Nossa Senhora das Dores. No fim das missas, após a benção da água trazida pelos fiéis, todos saem em procissão e se encontram no Largo dos Mares de onde seguem até a Igreja do Senhor do Bonfim.
A caminhada que une dois grandes símbolos do catolicismo baiano: Nossa Senhora da Conceição (padroeira do Estado) e Senhor do Bonfim , costuma ser resumida pela frase: “Do colo da mãe, à mansão da Misericórdia’, em uma expressão que demarca não só os locais de partida e chegada da procissão, mas principalmente do sentimento de conforto e acalento encontrado nas figuras de Maria e Jesus.
A novidade deste ano será a imagem de Nossa Senhora das Dores que pela primeira vez seguirá à frente da procissão junto com o Senhor do Bonfim. Nossa Senhora das Dores é venerada pelos católicos com muitos nomes, os quais remetem a uma passagem bíblica que narra a morte de Jesus, quando Maria foi traspassada por uma espada de dor. A humanidade inteira se associou a essa dor, ao lado de Maria, para alcançar a Ressurreição.
“A presença da imagem de Nossa Senhora das Dores na Caminhada Penitencial aprofunda, junto ao nosso povo, uma mística de comunhão do povo para com o sofrimento de Cristo na cruz. Cristo na cruz representado na imagem do Senhor do Bonfim; Cristo na cruz presente no sofrimento dos irmãos e irmãs vítimas da violência”, ressalta padre Manoel Filho, coordenador da Pastoral de Comunicação Arquidiocesana.
Uma peculiaridade da caminhada penitencial é a participação massiva das pessoas, que aproveitam este período de conversão proposto pela quaresma para pedir perdão e se reconciliar com Deus. Para animar os fiéis ao longo do trajeto, carros de som participam da procissão, que é repleta de gestos marcantes, como a passagem da cruz pelas mãos do povo, a doação de alimentos às Obras Sociais Irmã Dulce, a peregrinação - símbolos que inspiram a comunhão espiritual, a unção, a vivência nova da fé. A caminhada até a Colina Sagrada é considerada um propósito de bênção para os católicos, que seguem dispostos a uma nova experiência de misericórdia em uma tradição mantida há mais de 20 anos.
Como nasceu a Caminhada Penitencial
A Caminhada surgiu na Suburbana, a partir da iniciativa da antiga forania Sete. A idéia era referendar a Campanha da Fraternidade, tomar com maior responsabilidade o tema proposto pela Igreja no Brasil. As paróquias do Subúrbio Ferroviário e também de Pirajá e Marechal Rondon assumiram o compromisso de participar desse ato penitencial e dessa forma de preparação para a Páscoa.
Os moradores da Suburbana enfrentavam muitas dificuldades, e essa foi uma iniciativa importante para a região. Além de refletirem sobre o tema da Campanha da Fraternidade, relacionando-o com as suas realidades, aproveitavam a Caminhada para passarem lista de abaixo-assinado, reivindicando melhoria na infra-estrutura para o bairro.
No sacramento da Penitência celebra-se a coragem de pegar de novo na mão de Deus e voltar a andar junto com Ele. A Caminhada Penitencial traduz o desejo do homem, filho de Deus, de assumir este compromisso de ser fermento na massa. De forma simbólica, este encontro mostra que a vida é um caminho dinâmico e que todos devem andar sempre em direção à conversão.

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